Descubra o que é a moda vegana e por que investir nela

Descubra o que é a moda vegana e por que investir nela
Poluição, trabalho escravo ou mal remunerado, exploração de animais, incentivo ao consumo excessivo — todos esses graves problemas estão diretamente ligados à indústria tradicional da moda, que, como dá para perceber, não é das mais sustentáveis e éticas. Por outro lado, é importante observar que podemos agir na quebra do ciclo com uma alternativa a esse modelo. Como? Com a moda vegana. Já ouviu falar sobre o assunto?

Muito além de um segmento, essa proposta de vestuário faz parte de uma mudança de estilo de vida. O grande diferencial é o modo de produção alinhado a práticas conscientes de valorização do meio ambiente e da vida em todas as suas formas, sejam humanas, sejam animais. Além do mais, tem tudo a ver com a cultura slow fashion, baseada no conceito de cadeia produtiva justa e na redução do consumo desenfreado.

Se você vê a moda como uma forma de expressão da sua personalidade e das suas preferências e, ao mesmo tempo, como modo de comunicar ao mundo sua consciência social e ambiental, chegou ao conteúdo certo! Vamos detalhar o assunto por aqui, falando sobre o impacto negativo causado pela indústria de vestuário, os princípios e os benefícios da moda vegana e as formas de mudar a lógica de consumo. Então, continue a leitura e saiba mais!

Os princípios da moda vegana

veganismo é um universo amplo que vai muito além de deixar de comer carne e consumir qualquer produto de origem animal. Cheia de possibilidades a serem exploradas, a ideologia abrange várias esferas de conhecimento e comportamento. O foco é a busca por um modo de vida guiado pela redução dos danos ao meio ambiente e pelo desenvolvimento de relações mais equilibradas entre as pessoas e o espaço que ocupam.  

Pensando na moda vegana de modo específico, aderir a essa forma de se vestir significa, basicamente, usar apenas roupas, calçados e acessórios que não empregam qualquer forma de exploração de bichos em seu processo de fabricação — como a realização de testes e o uso de matéria-prima animal. 

O veganismo em toda sua expressão parte da filosofia da proteção dos direitos dos animais, mas acaba trazendo ainda mais discussões. Por exemplo, querer saber qual é a origem dos produtos que você compra é o primeiro passo para consumir de modo mais consciente. No universo da moda vegana, essa postura de cuidado também implica: 

  • saber que tipo de mão de obra foi utilizada;

  • entender os impactos causados à natureza durante a fabricação das peças;

  • valorizar os recursos e os produtores locais;

  • modificar padrões de consumo (você precisa mesmo de peças novas a cada estação?);

  • acompanhar e questionar órgãos e entidades responsáveis pela regulamentação de práticas de produção;

  • aprender a fazer escolhas considerando o bem-estar coletivo. 

Todos esses pontos estão interligados e fazem parte de uma discussão que ganha cada vez mais espaço na sociedade. Afinal, quando pensamos nos danos da indústria da moda, vemos que algo precisa mudar, certo? Para deixar isso mais claro, vamos seguir a conversa com alguns dos aspectos negativos do segmento tradicional. 

Os impactos da indústria da moda

Sabia que, quando falamos sobre indústria da moda, estamos tratando da segunda maior poluidora do mundo — a qual fica atrás apenas do setor de petróleo e gás? O uso de matérias-primas de origem animal, a produção extensiva de algodão e a utilização em larga escala de insumos derivados dos combustíveis fósseis provocam impactos avassaladores na natureza.

Porém, um fenômeno decisivo para que a moda se tornasse uma ameaça ainda maior ao meio ambiente foi o surgimento do fast fashion, que nada mais é do que a produção acelerada, em massa, de roupas por grandes redes varejistas — ou seja, o conceito diretamente oposto ao de slow fashion, que tem forte ligação com as premissas do veganismo. 

Entre 2000 e 2014, o consumo médio de roupas aumentou em 60%, porém a manutenção das peças pelas pessoas não acompanhou positivamente o ritmo. A facilidade de comprar e o baixo custo estimularam um alto giro de vendas e de consumo e, ao mesmo tempo, um impactante descarte — uma combinação de fatores extremamente nociva à saúde do planeta. Apenas para você ter uma ideia de quão alarmante é a situação, 2.625 kg de roupas são incineradas ou aterradas a cada segundo na Terra.

E como se não bastassem os impactos ambientais, essa indústria também é conhecida por empregar mão de obra barata ou, até mesmo, escrava em diversos países, inclusive no Brasil. Os trabalhadores são submetidos a condições desumanas e insalubres, recebem salários insuficientes para atender às suas mínimas necessidades de subsistência e têm jornadas de trabalho exaustivas. Uma boa forma de se atualizar sobre essa questão é por meio do aplicativo Moda Livre, criado pela ONG Repórter Brasil, que monitora a indústria de vestuário no país desde 2013. 

A moda vegana caminha na contramão de uma triste realidade. Por alimentarem preocupações ambientais e sociais, além de defenderem fortemente a causa animal, muitas empresas com filosofia vegan friendly privilegiam a fabricação artesanal e regionalizada, em quantidades limitadas, de produtos com estilo atemporal — bem o oposto da proposta fast fashion. Além disso, elas prezam pelo respeito aos trabalhadores, oferecendo às pessoas condições que respeitem seus direitos e sua qualidade de vida.

O mercado vegano

Ao aderir à moda vegana, usamos nosso poder de consumo de uma maneira diferente e positiva, buscando frear a exploração do meio ambiente, dos animais e dos seres humanos. Conhecer a origem do que consumimos e não usar produtos que vêm dessa exploração é uma maneira importante — e nada complexa, diferentemente do que se pode imaginar — de colaborar para as mudanças na indústria da moda e no mundo.

Afinal, quanto maior for o interesse efetivo das pessoas no consumo de roupas, calçados e acessórios veganos, mais pesquisadores e empresas buscarão desenvolver outras formas de fabricar os produtos, que ganharão em qualidade e também se tornarão mais acessíveis. 

É importante observar, no entanto, que nem toda roupa feita sem uso de insumos de origem animal é sustentável. Para garantir que a moda vegana seja, de fato, mais benéfica para o meio ambiente, é relevante privilegiar o uso de materiais como linho, cortiça, algodão orgânico e refugos da indústria têxtil, cujo impacto na natureza é consideravelmente menor.

Porém, é preciso chamar a atenção para um aspecto: a polêmica do custo. Diversas das frentes do veganismo, como alimentação, vestuário e cosméticos, sofrem com a desinformação. Por acreditarem que qualquer produto vegano é mais caro e ao olharem apenas o preço, muitas pessoas deixam de procurar as alternativas e seguem o fluxo das indústrias tradicionais — estimulando o ciclo desenfreado de consumo e descarte. 

É por isso que conteúdos como este são importantes: o ponto de partida de uma mudança real se dá quando compreendemos os acontecimentos e aprendemos práticas que nos ajudam a transformar o nosso meio. 

O veganismo em números

Entre janeiro de 2012 e julho de 2016, as buscas na internet pela palavra “vegano” cresceram 1.000% no Brasil. Estima-se que há 5 milhões de pessoas que se declaram veganas no país, e, considerando que suas decisões de consumo são influenciadas pelo veganismo, essa é uma parcela significativa que pode ser atendida por marcas que compartilham dessa mesma filosofia.

Além disso, cerca de 2 mil brasileiros se tornam vegetarianos todos os dias — processo que, para várias pessoas, funciona como o início de uma transição para o veganismo. De acordo com o Ibope, em 2012, 8% da população brasileira se declarava vegetariana, o que equivale a 16 milhões de pessoas.

Entre junho de 2017 e julho de 2018, o Brasil foi o 6º país que mais lançou produtos veganos no mercado. São cosméticos, roupas, acessórios, produtos alimentícios e outros itens fabricados de acordo com preceitos como o respeito aos animais, a não exploração de mão de obra e o uso de métodos produtivos que não destruam o meio ambiente.

Os benefícios da moda vegana

Os benefícios da moda vegana

Até aqui, entendemos vários aspectos impactantes e que mostram a necessidade de renovar o ciclo tradicional da indústria da moda. Mas como convencer mais gente sobre isso? Vamos ajudar na discussão com os tópicos a seguir, que mostram os principais benefícios da moda vegana.

Bem-estar dos animais

Como já vimos, a principal razão para que o uso de materiais veganos na indústria da moda seja uma alternativa melhor é a questão dos direitos e do bem-estar dos animais. Vivemos em um mundo que ainda usa bichinhos em testes de cosméticos, produtos de limpeza e outros itens industrializados. Há até mesmo marcas que utilizam peles de animais em suas peças.

Com as redes sociais, ativistas da causa alcançam cada vez mais pessoas com a mensagem de que é preciso banir o uso de qualquer tipo de produto ou subproduto de origem animal na moda e em outras indústrias. Isso obrigou marcas que antes não tinham essa preocupação a buscar alternativas veganas para suas criações.

Materiais de qualidade

Se, há bem pouco tempo, matérias-primas veganas, como o couro vegetal, eram vistas com maus olhos, hoje temos uma enorme variedade de insumos melhores não apenas na qualidade, mas também na aparência. Para a indústria da moda, isso é determinante, pois, assim, as marcas conseguem substituir materiais de origem animal por opções veganas sem que isso afete diretamente a aparência dos produtos.

Variedade de matérias-primas

À medida que a indústria da moda e as tecnologias que ela emprega se desenvolvem, aumenta o espaço para alternativas veganas. Além do algodão orgânico, outros materiais (como algas marinhas, cânhamo e soja) estão sendo cada vez mais utilizados na fabricação de roupas, sapatos e acessórios. 

Entre as opções, além do couro vegetal, a indústria conta com matérias-primas como: 

  • linho;

  • PET reciclado; 

  • EVA reciclado;

  • viscose certificada;

  • microfibra.

Durabilidade das peças

Ainda há quem acredite que materiais veganos não têm a mesma durabilidade que seus equivalentes de origem animal. No entanto, isso é um equívoco. Com o desenvolvimento de novas tecnologias têxteis, as matérias-primas veganas se tornaram mais resistentes e duradouras, podendo ser aplicadas a uma gama variada de produtos, desde roupas mais delicadas a botas para trilhas. 

Caminho para o futuro

Como se não bastassem todas essas características superpositivas, a moda vegana tem outro grande benefício: ela atende aos anseios de pessoas preocupadas com os animais e o meio ambiente e aponta para um futuro menos sombrio. Considerando todas as mudanças climáticas pelas quais o planeta tem passado, saber que é possível criar produtos que respeitam as pessoas, os animais e o meio ambiente é alentador.

Geração de inovação 

Geração de inovação 

Esse aspecto é alinhado com o anterior. Considerando o cenário de mudanças de mindset, não poderíamos deixar de comentar sobre inovação, que é um aspecto essencial para a evolução da sociedade. Contudo, não falamos dela como geralmente é vista no mundo corporativo, como um ativo para ampliar oportunidades de negócios. Inovar, na moda vegana, significa uma real transformação no modo de pensar como nos vestimos.

Por exemplo, você já pensou nas coleções por estação? Ou que, a cada ano, as tendências “ditam o mercado”? Por que essa necessidade de ter sempre algo novo? Não seria possível pensar em estratégias de maior valorização das peças para também entregar mais valor às pessoas? Questões como essas são pilares que norteiam a moda vegana.

Cuidado com o meio ambiente

O veganismo é um desafio de reorientação quando pensamos na questão ambiental. Para uma produção barata, a custos mínimos, é necessário mão de obra mal paga e também matérias-primas originadas de processos padrões, em larga escala, extrativistas e poluidores — tudo pelo menor custo para as empresas, mas gerando um grande ônus para o planeta.

A moda vegana tem a premissa de combater esse fluxo e trabalhar com processos que evitam ou, ao menos, diminuem radicalmente a geração de efeitos nocivos para o planeta. Em longo prazo, esse cuidado pode ser decisivo para mudar os quadros atuais de degradação da natureza causados pelos abusos da indústria.  

Desenvolvimento local

Um grande desafio para os empreendedores de uma região é a concorrência desleal com grandes corporações, que conseguem entregar tudo a preços baixíssimos e prazos ágeis. Essa conveniência faz com que, frequentemente, as pessoas se afastem daquilo que é feito nas suas regiões e comprem peças de roupa que vêm de outros países. 

Mas, quando a moda vegana entra em cena, isso tende a favorecer (e muito!) a vida econômica de uma localidade. Produtores artesanais podem seguir essa lógica para oferecer opções genuinamente veganas, que, além da questão animal, sigam todos os cuidados de produção sobre os quais já falamos por aqui.

Além disso, quando crescem, empresas de moda vegana se tornam referências não só pelos produtos, mas também pelo impacto econômico e social que geram. Quer ver um exemplo? A marca brasileira de camisetas Chico Rei, que é certificada pela PETA. Além de oferecer produtos veganos de alta qualidade e produzidos no Brasil, a empresa tem uma forte política de valorização profissional e desenvolve projetos para a sociedade com o programa “Camisetas Mudam o Mundo”. 

A moda consciente

Quando consumimos algo, é importante pensar sobre o que e quem está envolvido na fabricação daquele produto. Na moda vegana, a preocupação não é apenas com o estilo ou a aparência de uma peça. Quando paramos para pensar nas pessoas que fabricaram um item ou nos animais que foram sacrificados ou explorados para que ele fosse produzido, nossa perspectiva sobre o consumo se transforma. 

A moda vegana nos mostra que podemos sair de um modelo de consumismo desenfreado e retomar hábitos de outras gerações, que consumiam menos e cuidavam melhor de seus guarda-roupas. É possível amar nossas roupas e sapatos e tratá-los com o respeito que as mãos que os fabricaram merecem.

Atualmente, existe uma abundância de informações sobre os bastidores sombrios da indústria da moda. Quando temos a dimensão da crueldade envolvida na exploração animal e no uso de mão de obra barata, fica mais difícil justificar decisões de consumo impensadas. É claro que há um longo caminho para se chegar a uma indústria de moda totalmente vegana, mas já temos as ferramentas necessárias para dar passos significativos nessa direção. 

A moda vegana nos ajuda a desenvolver um olhar compassivo sobre o mundo e entender nossa responsabilidade em sua preservação. Comprar roupas, sapatos e acessórios veganos é um ato de amor ao meio ambiente, aos animais e às pessoas. É uma forma de demonstrarmos nossa preocupação e nossa intenção de contribuir para um mundo com mais equilíbrio e justiça.

O consumo ético

Existem vários caminhos para um consumo mais ético. Os bazares de trocas de roupas e acessórios estão cada vez mais comuns, assim como os brechós e o “upcycling”, que é a reciclagem de um produto para transformá-lo em outro com nível de qualidade superior ao original. Você também pode usar plataformas colaborativas para comprar artigos usados e, por que não, fazer trocas de peças com amigos e familiares. 

Sempre vamos precisar de vestes para viver, mas podemos fazer isso com uma mentalidade mais voltada para a preservação social e ambiental. Assim, poderemos ter acesso a mais opções de qualidade tomando decisões que respeitam o bem-estar animal, geram menos impacto ao meio ambiente e preservam a dignidade humana. Pode acreditar: a moda vegana é o futuro do consumo. 

E aí, o que achou de conhecer mais a fundo a moda vegana? Aqui no blog, temos ainda mais conteúdos sobre como podemos adotar um estilo de vida equilibrado, respeitando os animais, a natureza e as pessoas.

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