Tudo que você precisa saber para ter um estilo de vida sustentável

estilo de vida sustentável

Todos os anos, a instituição internacional de pesquisa Global Footprint Network calcula em que dia e mês a humanidade esgotou os recursos naturais que deveriam ser consumidos apenas em 1 ano. Esse dia está chegando cada vez mais cedo, o que reforça a necessidade de falarmos sobre sustentabilidade e o que fazer para ter um estilo de vida sustentável.

O cálculo da Global Footprint Network leva em conta a chamada pegada ecológica, que considera a demanda humana sobre a natureza em diferentes aspectos, como a produção de alimentos, de madeiras, de fibras e a emissão de gases provenientes da queima de combustíveis fósseis.

Em 2018, essa marca foi decretada em 1º de agosto, representando um recorde: foi quando o esgotamento dos recursos chegou mais cedo, desde quando ele começou a ser calculado, em 1970. É como se, com o atual padrão de consumo, precisássemos de 1,7 planetas Terra para nos mantermos.

Contudo, como a sustentabilidade aplicada à rotina de cada um de nós pode colaborar para reverter esse quadro? Confira a resposta neste guia completo. Boa leitura!

O que é sustentabilidade?

Se formos ao dicionário em busca da definição de sustentabilidade, vamos encontrar uma explicação que, de certa forma, é genérica. Para o Michaelis, por exemplo, a sustentabilidade é a característica, qualidade ou condição daquilo que é sustentável.

Assim, de forma isolada, o termo pode ser empregado para se referir a uma obra cujos pilares garantem a sustentabilidade da edificação, a uma empresa que consegue gerar recursos monetários para manter a sua sustentabilidade financeira ou a preocupações ambientais que busquem manter a sustentabilidade das ações humanas sobre a natureza, garantindo o futuro das próximas gerações.

No entanto, não foi um processo simples chegar ao conceito e à teoria da sustentabilidade ambiental da forma como os conhecemos hoje. As primeiras discussões acerca do tema são do início da década de 70, em um contexto no qual a preocupação ambiental em âmbito global era crescente, mas ainda não tão urgente quanto atualmente.

O caminho até a teoria da sustentabilidade

Embora a humanidade tenha sempre lidado com as forças da natureza e procurado formas de explorar seus recursos para sobreviver, por muito tempo essa relação foi bem dimensionada. Não éramos muitos habitantes ao redor do globo e não conseguíamos extrair recursos e gerar resíduos em larga escala.

Isso mudou com a Revolução Industrial, que começou na Inglaterra e se espalhou pelo mundo a partir da metade do século 18. Com ela, e o posterior avanço de determinadas técnicas, como a energia elétrica e o motor à combustão, foi possível produzir novos itens em uma escala jamais vista. Eles se tornaram mais acessíveis para uma parcela maior da população, que passou a ocupar os grandes centros urbanos com cada vez mais intensidade.

Ao mesmo tempo em que melhoraram a qualidade de vida de uma fatia considerável da população da Terra, essas inovações passaram a exigir cada vez mais recursos ambientais, sem que isso passasse por uma reflexão sobre como o uso desenfreado deles poderia comprometer o futuro. Isso sem falar em toda a poluição gerada pela atividade humana, que naquela época era vista como sinal de progresso, já que indicava a presença de indústrias.

Desenvolvimento da consciência ecológica

Aos poucos, o cenário foi se alterando e uma mudança de mentalidade ganhou impulso com uma série de transformações políticas e comportamentais que tiveram como palco os anos 1960 e 1970. Nesse período, vários grupos passaram a defender o desenvolvimento de uma consciência ecológica global, seja por motivos místicos, seja por evidências científicas de que a atividade humana na Terra causa impactos significativos e pode exaurir recursos tão importantes para nossa subsistência.

Um dos marcos dessa mudança progressiva foi o lançamento do livro “A primavera silenciosa”, em 1962. Escrito pela bióloga Rachel Carson, a obra alertava sobre como o uso indiscriminado de determinados pesticidas era extremamente prejudicial a todas as formas de vida terrestres. Diante desse aviso, o livro de Carson foi um dos pilares do que viria a ser chamado no futuro de movimento ambientalista, que hoje é bastante popular.

Nesse ponto, chegamos ao início dos anos 70 e às discussões que deram origem ao termo sustentabilidade ambiental. A primeira vez em que ele apareceu em um documento oficial foi na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, na Suécia, entre os dias 5 e 16 de junho de 1972. 

Os focos das discussões durante a conferência foram a degradação ambiental, a poluição das águas, as mudanças ambientais e os desastres naturais. Além disso, existiram conversas sobre quais seriam as bases de um desenvolvimento que levasse em conta a sustentabilidade ambiental.

A partir desses debates, que contaram com a presença de representantes de 113 países, incluindo o Brasil, foi formulada a Declaração sobre o Meio Ambiente e criado o Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente. 

20 anos depois, em 1992, a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ficou conhecida como Rio 92, consolidou o termo sustentabilidade. Ele foi definido como a capacidade de manter o desenvolvimento no longo prazo, sem esgotar os recursos naturais, permitindo que as próximas gerações também usufruam deles.

As várias dimensões da sustentabilidade 

Ainda que possa ser resumido de forma simples, como você viu no tópico anterior, o conceito de sustentabilidade é multidimensional e engloba diversos aspectos. Eles formam um tripé, conforme listamos abaixo.

Pilar ambiental

A questão ambiental é a que chama mais atenção quando falamos de sustentabilidade. Ela diz respeito aos recursos naturais e à forma como eles serão explorados, tanto por pessoas quanto pelas empresas, abrangendo a conservação do meio ambiente.

Sem essa preocupação, nossa forma de consumir e lidar com os recursos que extraímos e os rejeitos que descartamos comprometeria a continuidade da espécie humana no planeta.

Pilar social

O pilar social levanta questões sobre como o desenvolvimento melhorará efetivamente a vida das pessoas, fornecendo a elas meios dignos de sobrevivência e acesso a alguns serviços, como saúde, educação, saneamento básico e segurança pública.

Pilar econômico

Pelo pilar econômico, todo o desenvolvimento deve ser levado em frente considerando a criação de oportunidades e a distribuição de renda, com o intuito de reduzir as desigualdades e fazer com que mais pessoas prosperem e tenham boas condições de vida.

Como ter um estilo de vida sustentável por meio do consumo consciente?

Agora que você já sabe o que é sustentabilidade, deve estar se perguntando o que fazer para retirar esse conceito das grandes ações, que envolvem apenas empresas e governos, e trazê-lo para a sua rotina, alterando seu estilo de vida. Afinal, isso é possível? Vamos mostrar que sim! É viável incluir pequenos hábitos no seu dia a dia para torná-lo mais sustentável.

Mas o que é estilo de vida? Podemos dizer que é o conjunto de atitudes e hábitos que definem suas escolhas diariamente: desde o momento em que você acorda, escolhe o que vestirá, o que vai comer e como chegará ao trabalho, até o momento antes de fechar os olhos à noite. Tudo isso compõe seu estilo de vida e seu padrão de consumo, afetando o tamanho do seu impacto sobre a natureza.

Ao pensar na mudança do estilo de vida em prol do meio ambiente, muitas pessoas entendem que suas alterações de comportamento serão insignificantes. No entanto, esse pensamento deve levar em conta o coletivo e não apenas o resultado de ações individuais.

Lembre-se sempre de que o planeta já conta com mais de 7 bilhões de habitantes e a perspectiva é que esse número atinja os 8,6 bilhões em 2030. Já uma redução no número de humanos sobre a Terra só é esperada a partir da segunda metade deste século, de acordo com alguns estudos.

Diante dessa população enorme, com parte dela mantendo padrões de consumo já elevados, enquanto outra parte tende a se desenvolver e também a aumentar o que consome, não é difícil imaginar que a sobrecarga sobre os recursos naturais do planeta será imensa. Assim, ela chegará mais cedo a cada ano, conforme mencionamos no início deste texto.

Por isso, além de cobrar governos e empresas para que assumam suas responsabilidades e conduzam a nossa sociedade de maneira mais sustentável, é importante que cada um de nós faça sua parte. Por isso, procure repensar seus hábitos para, ao menos, minimizar o impacto sobre o meio ambiente, de modo a deixá-lo habitável para as futuras gerações.

Além disso, assim como o conceito de sustentabilidade é multidimensional, as maneiras de incluirmos hábitos sustentáveis são muitas e mudam de acordo com a área de nossa vida. Por isso, nos tópicos seguintes, incluímos dicas e recomendações do que você pode fazer para tornar seu estilo de vida sustentável em vários aspectos da sua rotina.

O que é uma alimentação sustentável?

A produção de alimentos para consumo humano causa um enorme impacto sobre o meio ambiente. No entanto, isso não parece ser de pleno conhecimento da maioria das pessoas. De acordo com um levantamento da organização ambiental WWF, 91% dos consumidores não tem consciência dos danos que suas escolhas alimentares podem causar à natureza.

Foram entrevistadas mais de 11 mil pessoas, de 10 países, incluindo o Brasil. O resultado mostra que a maior parte delas não conecta o alimento que chega ao seu prato à emissão de gases do efeito estufa, ao consumo de água exagerado e à destruição de áreas verdes, sem contar os itens que são desperdiçados em todas as etapas da produção.

Outro ponto preocupante da pesquisa foi que o maior nível de desconhecimento sobre o assunto está entre os jovens de 18 e 24 anos. Para 40% deles, a ameaça ao meio ambiente causada pela produção de alimentos é menos significativa do que aquelas provenientes de outras formas. Os mais conscientes sobre esse problema são as pessoas mais velhas, com mais de 55 anos. Para mais da metade dos entrevistados nessa faixa etária, a produção de alimentos é uma ameaça significante.

Porém, mais importante do que saber quais os impactos da produção de alimentos, é encontrar formas de deixar sua alimentação sustentável. Esse é justamento o objetivo dos tópicos abaixo.

Reduza ou elimine o consumo de carne

De acordo com relatório do Greenpeace, a produção de carne emite a mesma quantidade de gases que todos os carros, caminhões, aviões e navios circulando atualmente, contribuindo para o aquecimento do planeta. Isso sem contar a busca constante de novas áreas para a criação dos rebanhos, o consumo de água e a crueldade com os animais.

Por isso, ainda de acordo com o Greenpeace, o ideal seria que o consumo de carnes e derivados fosse reduzido pela metade até 2050. E você pode ajudar nisso, diminuindo ou eliminando alimentos com essa origem do seu cardápio.

Para quem tem dificuldade em ficar sem carne no prato, a dica é ir retirando esse alimento aos poucos, trocando-o por opções vegetarianas ou ao menos reduzindo as porções. Projetos como o Segunda sem carne” são um bom ponto de partida.

Dê preferência aos produtos da época

Os alimentos seguem o clima de cada região e o seu ciclo de vida, o que faz com que determinada espécie vegetal floresça e dê seus frutos em certas estações do ano e não em todas. Contudo, no intuito de aumentar a lucratividade, a indústria alimentícia encontrou formas de driblar a natureza.

Porém, para isso são necessários agrotóxicos e um cuidado maior com as plantas, que quase sempre elevam o consumo de energia necessária para a produção. Logo, ao encher o carrinho, na feira ou no mercado, priorize sempre os alimentos da época.

Além de causarem menor impacto ao meio ambiente, eles são mais baratos, saborosos e diminuem sua exposição a produtos químicos bastante nocivos, tanto para o organismo humano quanto para solos e rios.

Procure por alimentos orgânicos

Se o seu desejo é ficar totalmente livre de agrotóxicos no prato, procure pelos alimentos orgânicosAlém de isentos de produtos químicos, produtos com produção orgânica certificada costumam ter uma preocupação maior com a cadeia de produção, desde os cuidados com os trabalhadores até o transporte das mercadorias.

Para aqueles que gostam de colocar a mão na massa, a dica é ir além e plantar em casa pelo menos parte do que é consumido diariamente. Ainda que em pequena quantidade, essa é uma ótima forma de reduzir o impacto da agricultura. Avalie o espaço disponível, separe as ferramentas necessárias e decida quais vegetais estão de acordo com o que você tem à disposição. 

Evite o desperdício

Na hora de escolher e preparar os alimentos, faça isso de forma inteligente, para evitar o desperdícioSe organize para consumir o que você comprou antes de o alimento estragar ou ultrapassar sua data de validade. Por outro lado, não menospreze talos, caules e folhas, que rendem ótimas receitas.

Enquanto estiver nas compras, não ignore um item apenas por pequenos defeitos ou pelo fato de ele estar longe de uma aparência ideal. Esses alimentos têm o mesmo sabor daqueles mais bonitos e, com uma avaliação cuidadosa, podem ser consumidos sem problemas, evitando que tenham como destino o lixo.

Como se transportar de forma sustentável?

Ao se locomover, dê preferência a qualquer outro meio de transporte que não seja o carro, ainda mais se ele for utilizado por apenas um passageiro. Tal atitude, além de ajudar no seu bolso, tira de circulação veículos que emitiriam gases do efeito estufa e congestionariam ainda mais o trânsito.

Como opções, você pode adotar o transporte público, bicicletas ou mesmo a caminhada. Se o uso do carro for indispensável, procure por colegas que façam o mesmo trajeto que você e proponha um esquema de caronas, para que todos se dirijam ao seu destino em um único veículo, compartilhando os custos.

Como ser sustentável ao se vestir?

E o que fazer na hora de se vestir? Podemos dizer que existe uma  moda sustentável? Ela não só existe como já é um termo adotado pelo mercado. O SEBRAE, por exemplo, a define como aquela que preza pelo respeito ao meio ambiente em todas as etapas de produção de uma peça.

Assim, na moda sustentável são evitadas matérias-primas não recicláveis, que poluem o planeta ou que exigem enormes quantidades de energia e água para serem produzidas. Com isso, o impacto de cada roupa sobre o meio ambiente é reduzido.

Outra maneira de montar um guarda-roupa sustentável é evitar as peças produzidas no esquema de fast fashion. Essa moda rápida é caracterizada pela produção em larga escala de produtos de qualidade inferior, com uma renovação muito rápida das coleções.

Como consequência, os itens são produzidos em um processo ainda mais agressivo, gerando impactos significativos. Outro aspecto a ser considerado é que, com qualidade inferior, as roupas confeccionadas nesse esquema duram menos e logo são descartadas.

Em oposição ao fast fashion, foi criado o conceito de slow fashion, também conhecido como eco fashion. Ele remete à ideia de moda sustentável e reforça a necessidade de que o impacto de todos os estágios de produção seja avaliado e minimizado o máximo possível, priorizando matérias-primas sustentáveis, economia de recursos e respeito aos trabalhadores envolvidos.

Para ter um guarda-roupa com peças sustentáveis, não é preciso gastar muito. Com uma boa pesquisa, é possível encontrar marcas que sigam esses preceitos. Enquanto estiver pesquisando, procure pelas indicações nas etiquetas e utilize aplicativos como o “Moda Livre”, que indica confecções com práticas ruins no que diz respeito ao combate ao trabalho escravo (que infelizmente é muito comum nesse setor)

Como utilizar a reciclagem para ser sustentável?

Por mais que todas as suas atitudes de consumo sejam repensadas e consigam ser sustentáveis ao máximo, todas elas vão gerar resíduos em algum momento. E além de uma questão individual, o lixo é um grande problema, ainda mais na quantidade em que é produzido.

De acordo com a ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), cada pessoa no país gera, em média, 378 kg de lixo ao ano. Outro problema é que boa parte desse montante é acondicionado de maneira incorreta, muito por conta da ausência de programas de coleta seletiva, em que cada material é separado de acordo com sua origem e encaminhado para reciclagem. 

Ainda segundo dados da ABRELPE, em 2017, mais de 1600 cidades do país ainda não contavam com nenhum programa do tipo. No entanto, diante da importância da coleta seletiva e da reciclagem, todos podemos começar a cuidar melhor do seu lixo ainda dentro de casa.

Primeiramente, separe os resíduos orgânicos (em sua maioria, restos de alimentos) dos que podem ser reciclados. Depois disso, separe também plásticos, vidros, papéis, papelões e metais. Se a sua cidade não for atendida por programas de coleta seletiva, procure por cooperativas, ONGs ou mesmo por um catador individual, que faça o recolhimento desse material. Já os resíduos orgânicos podem ser reaproveitados por meio da compostagem doméstica.

A partir disso, o material é encaminhado para uma triagem e posteriormente para a indústria, que se encarrega de processá-lo e transformá-lo novamente em matéria-prima, inserindo o que seria descartado novamente no ciclo produtivo. Isso evita que sejam extraídos novos recursos naturais para a fabricação de outros itens e gera renda para as famílias que trabalham na cadeia da reciclagem.

Junto com a reciclagem, foque suas atenções em reduzir o lixo doméstico produzido por você e sua família. Compre produtos com embalagens retornáveis, que utilizem material reciclável ou sejam vendidos a granel. Também leve sua própria sacola na hora das compras e planeje bem o que será adquirido, a fim de não levar para casa mais itens do que o necessário.

O termo sustentabilidade foi criado em um cenário no qual a preocupação com questões ambientais ainda era pequena. Com o passar do tempo, a humanidade percebeu que, se quiser continuar habitando este planeta com um padrão de vida razoável, será preciso repensar a maneira como o consumo afeta o meio ambiente. Com isso, a sustentabilidade ganha ainda mais espaço nas discussões sobre o futuro das próximas gerações.

E, se parece pouco útil mudar pequenos hábitos em nome de uma causa maior, lembre-se sempre de que mudanças assim, quando feitas por um grande número de pessoas, ajudam bastante. Por isso, avalie o que você anda fazendo e considere a adoção de um estilo de vida sustentável. Certamente, o planeta e as futuras gerações agradecerão.

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