Descubra o impacto do mercado do couro no meio ambiente

mercado do couro

Por muito tempo, ter uma roupa ou acessório de couro no guarda-roupa era sinal de sofisticação e bom gosto. Contudo, aos poucos, um público cada vez maior nota os impactos negativos do mercado do couro, tanto por impor sofrimento à vida animal quanto por gerar inúmeros danos ao meio ambiente.

Por isso, o intuito deste post é esclarecer como essa indústria funciona, quais impactos ela gera e se é possível fazer algo para minimizar ou mesmo eliminar o couro das nossas vidas. Boa leitura!

Como funciona o mercado do couro?

O couro, que é transformado em diversos tipos de itens de vestuário ou mesmo em utensílios para os mais variados usos, é o resultado de uma série de processos que transforma a pele de animais nessa matéria-prima.

Os animais que são transformados no material variam de acordo com a região do planeta. Nas Américas, a maior parte é proveniente de bovinos, o que não exclui cabras e ovelhas, por exemplo. 

Já em outras áreas do globo, não é raro que o material tenha origem em animais considerados exóticos, devido a determinadas características. É o caso, por exemplo, das cobras, jacarés, cangurus e até mesmo arraias.

Como o couro é produzido? 

Não é possível colocar à venda a pele dos animais diretamente. Como é um material em decomposição, é necessário fazer uma série de tratamentos físicos e químicos que interrompa essa degradação e mantenha-o em condições de uso, sem endurecê-lo demais, inclusive. Essa série de processos recebe o nome de curtimento e é feita em um local que chamamos de curtume.

Assim, antes de passar pelo processo de curtimento, diz-se que o couro está cru. Nesse estágio, ele fica duro e quebradiço se exposto ao calor e volta a apodrecer se entra em contato com a umidade. 

De maneira resumida, o processo de curtimento começa logo após o abate e retirada da pele do animal, que é limpa para eliminar resíduos de carne, gordura ou pelo. Após essa primeira etapa, são aplicados uma série de produtos químicos, com as mais diversas finalidades: desde a eliminação de bactérias até branqueadores para alterar a tonalidade do produto final.

Mas não existe uma única forma de curtir o couro. Ao longo do tempo a indústria foi desenvolvendo novas técnicas e, com isso, podemos listar algumas formas pelo qual o curtimento é feito. Confira abaixo.

Curtimento vegetal

Utiliza taninos (substâncias extraídas de vegetais) para amaciar o couro. O material produzido é mais maleável, porém mais instável e menos resistente à água, principalmente se ela estiver quente.

Curtimento sintético

Como o próprio nome diz, utiliza algumas substâncias sintéticas para realizar o processo de curtimento. O resultado é um couro mais claro e com textura mais agradável.

Curtimento com alume

Utiliza sulfatos de alumínio com itens que dão liga de forma natural, como farinha e ovos. Resulta em um couro que ainda apodrece na água, mas é mais claro e maleável que o curtido naturalmente.

Curtimento com cromo

É, ao mesmo, a técnica de curtimento mais popular e a mais nociva tanto para a saúde dos trabalhadores quanto para o meio ambiente. O couro a ser curtido é inserido numa lama com sais de cromo e resulta em um material de cor azul-clara, com boa resistência à água quente.

Curtimento com aldeído

Segue os mesmos princípios do curtimento com cromo, mas substituindo-o pelo aldeído. O couro gerado é branco e macio, além de ser largamente utilizado em peças de camurça.

Quais são os impactos dos curtumes?

Você deve estar se perguntando qual o sentido de mostrar neste texto os processos de curtimento do couro, já que apontamos seu grande impacto no meio ambiente.

A grande questão está aí: a maior parte do dano proveniente da confecção deste material está justamente no uso de produtos químicos durante o curtimento. Como o descarte dos resíduos químicos é feito sem muito cuidado na maioria dos casos, essas substâncias vão parar na água e no solo, prejudicando plantas e animais.

O Cromo, por exemplo, que é o produto mais utilizado no curtimento, em quantidades pequenas tem função metabólica em muitos desses organismos. Ao entrar em contato com um volume muito grande da substância, essas espécies passam a sofrer com uma série de doenças e contaminam toda a cadeia alimentar. 

E esses perigos são estendidos aos trabalhadores, que quase sempre estão em contato direto com os produtos tóxicos sem utilizar a proteção necessária. Em humanos, o Cromo irrita o sistema respiratório e pode causar câncer.

Além disso, a pegada ecológica (ou seja, a quantidade de recursos naturais empregados na fabricação) do couro é sempre considerável. Para ter uma ideia, a produção de um par de botas exige 25 mil litros de água não tratada, 14 mil litros de água tratada e 50 metros cúbicos de solo.

O que pode ser feito para reduzir esses impactos? Isso é o suficiente?

Alguns procedimentos são básicos para minimizar o impacto da produção de couro. O já mencionado tratamento dos resíduos e da água utilizados no curtimento, bem como o fornecimento de equipamentos de segurança eficientes aos trabalhadores estão entre eles.

De outro lado, a indústria busca aprimorar os processos e depender menos de substâncias químicas como o Cromo. Pesquisas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) buscam obter couros de qualidades semelhantes a partir da utilização de taninos naturais, que não são tóxicos, dando um pouco mais sustentabilidade à produção.

Ainda assim, essas mudanças são muito tímidas e insuficientes diante do tamanho do mercado do couro e da sua larga utilização na indústria da moda e de fabricação de outros utensílios de uso bastante comum.

Por isso, para evitar totalmente o impacto ambiental e natural, o ideal é recorrer à produção de itens a partir de outras matérias-primas sintéticas e livres de sofrimento animal, que certamente não ficam devendo em nada para o couro.

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