Moda vegana: entenda como ela reduz o impacto negativo no meio ambiente

Moda vegana: entenda como ela reduz o impacto negativo no meio ambiente

À medida que mais e mais consumidores se dão conta do alto custo das indústrias têxtil e de moda para o meio ambiente e para a humanidade, palavras como ética e sustentabilidade se tornam mantras na busca por roupas e acessórios que gerem menos impactos negativos para o planeta. Em meio a essas preocupações, mais pessoas estão se voltando para a moda vegana.

No entanto, aderir à moda vegana também traz seus desafios. Pensando nisso, nós aqui da Urban Flowers decidimos escrever este post para explicar os impactos da moda no planeta, esclarecer o que torna uma roupa vegana verdadeiramente sustentável e dar algumas dicas de como identificar peças e materiais veganos. Continue lendo!

O impacto da moda no meio ambiente

Defensores dos direitos e do bem-estar dos animais e pessoas que valorizam roupas produzidas de modo ecologicamente consciente entendem que materiais como couro, pele e outros derivados da exploração animal podem poluir o planeta. Além disso, costumam colocar em risco a saúde dos trabalhadores envolvidos no manejo dessas matérias-primas e causam sofrimento desnecessário à vida animal.

Em nosso post sobre a Fashion Revolution, falamos sobre algumas das formas pelas quais a indústria da moda causa impactos tanto na natureza quanto nas pessoas envolvidas nos processos produtivos do setor. Para entender melhor a extensão do problema, é preciso conhecer ainda mais a fundo os efeitos nocivos que a produção têxtil e de moda em escala industrial trazem para o meio ambiente.

Contaminação dos rios

As águas residuais da produção industrial de roupas são repletas de produtos químicos e substâncias tóxicas, como corantes, mercúrio, chumbo e, em alguns casos, fertilizantes, entre outros materiais.

Em alguns locais, essa água é despejada diretamente nos rios, comprometendo gravemente a integridade da fauna e da flora aquáticas e a saúde de populações ribeirinhas, que utilizam a água dos rios para alimentação, irrigação de plantações e, em alguns casos, higiene pessoal e limpeza. 

Poluição dos oceanos

Em algum momento, as águas poluídas pelos processos de produção têxtil acabam chegando aos oceanos, mas a indústria não é a única responsável por isso. Você sabia que a lavagem de uma única peça de roupa feita com material sintético libera quase 2 mil microfibras que vão chegar aos oceanos? 

Além disso, a fauna oceânica é gravemente prejudicada pelo despejo desses materiais, que acabam sendo ingeridos por pequenos peixes e outros animais que servem de alimento para peixes maiores. Esses últimos, em algum momento, podem chegar às mesas e pratos de pessoas no mundo todo, trazendo o plástico para dentro do organismo humano.

Para piorar, essas fibras sintéticas não são biodegradáveis; logo, elas podem levar séculos até se decompor totalmente, causando prejuízos irreversíveis à vida marítima e à natureza como um todo. 

Consumo de água

A indústria da moda é uma consumidora voraz de água. Para produzir 1 kg de algodão, são necessários cerca de 20 mil litros de água. Esse líquido precioso também é empregado no tingimento e no acabamento das peças. 

Estima-se que, anualmente, a indústria consuma 79 bilhões — sim, bilhões — de metros cúbicos de água potável em todo o mundo; a maior parte é utilizada no plantio ou produção de fibras para fabricação de tecidos.

Degradação do solo e desmatamento

A indústria da moda desempenha um papel importante na degradação do solo, seja pelo uso intensivo de produtos químicos, seja pelo desmatamento de florestas para criação de áreas de pastagens, plantio de algodão ou exploração de madeira para produção de fibras para tecidos sintéticos

Tudo isso contribui para o aquecimento global e para a crescente perda de áreas cultiváveis, o que ameaça o sustento e sobrevivência de comunidades rurais ao redor do planeta.

Poluição atmosférica

Apenas em 2016, as indústrias de vestuário e calçados responderam por mais de 8% dos impactos climáticos globais. Além disso, as emissões totais de gases de efeito estufa resultantes da produção de têxteis equivalem a 1,2 bilhão de toneladas por ano, ultrapassando as emissões de voos internacionais e viagens marítimas somadas.

Impactos do couro

Além da óbvia questão ética ligada à exploração do couro, existem outros problemas no consumo dessa matéria-prima, a começar pelo enorme impacto ambiental. A pecuária, incluindo seus subprodutos, é responsável por 14,5% de todas as emissões mundiais de gases de efeito estufa, além de ser parcialmente culpado pelo desmatamento de florestas tropicais.

Os efeitos danosos não param por aí. O curtimento do couro com agentes inorgânicos como sais de crômio, de zircônio, de alumínio e de ferro é um processo incrivelmente tóxico. Esses sais são despejados nas águas dos rios, afetando toda a cadeia alimentar.

A moda vegana e a redução de impactos negativos

Optar pelo veganismo é uma ótima oportunidade para aprender sobre alimentação ética e estilos de vida sustentáveis. Uma dieta vegana rica em nutrientes pode ter resultados muito benéficos na saúde, além de impactar positivamente o meio ambiente, pois afeta de forma direta o consumo de carne e de outros produtos de origem animal.

O estilo de vida vegano é menos poluente e demanda menos recursos naturais, como solo, combustíveis fósseis e água. Como a população mundial deve continuar a aumentar, um movimento generalizado em direção ao veganismo é uma maneira eficaz de reduzir impactos sobre o meio ambiente e, quem sabe, garantir nossa sobrevivência como espécie.

Consumo vegano

No entanto, o veganismo vai além da alimentação. Não usar produtos de origem animal não é só evitar carnes, derivados do leite, ovos e mel — é também escolher roupas e acessórios que não tenham sido produzidos à custa do bem-estar dos animais e da preservação ambiental. Mas será que todos os itens de vestuário veganos são ecologicamente corretos?

Para que a moda vegana seja sinônimo de moda ecológica, sustentável e ética, ela tem de estar apoiada em alguns princípios:

  • uso de materiais menos poluentes e mais duráveis;
  • respeito ao bem-estar da mão de obra envolvida na produção das matérias-primas e das peças;
  • diminuição do uso de materiais sintéticos, como plásticos.

Materiais pouco sustentáveis

Alguns insumos que não têm origem animal podem trazer danos substanciais ao meio ambiente. Um bom exemplo disso está na produção do rayon, também conhecido como viscose. Apesar de ser um material 100% vegano, pois é feito a partir de celulose, o aumento do uso desse tecido — principalmente graças ao fast fashion — causa impactos significativos à natureza, como desmatamento e despejo de substâncias tóxicas no solo, no ar e nas águas.

Alternativas às matérias-primas de origem animal, apesar de importantes, também podem ser problemáticas. Esse é o caso de substitutos baseados em plástico, como o policloreto de vinila (PVC) e o poliuretano (PU), muito usados na fabricação do couro vegano. Além de serem feitos a partir do petróleo — um recurso não renovável —, eles não são biodegradáveis e, portanto, são responsáveis pela crescente presença de plástico nos oceanos.

Além do PVC e do PU, diversos materiais feitos de plástico, como peles sintéticas, lycra, elastano, poliéster, poliamida e nylon, bem como tecidos de plástico reciclado, também contribuem para o problema. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, a indústria da moda responde por 15% a 30% de todo material plástico encontrado nos oceanos. 

Mas nem toda moda vegana é feita apenas de materiais com origem no plástico. A moda vegana ecológica, baseada em princípios como alta qualidade e durabilidade, ciclo de produção limpo e sustentável e condições de trabalho justas e éticas, é uma vertente que busca reduzir de modo drástico o impacto da produção de itens de vestuário no meio ambiente.

A escolha pela moda vegana

Consumidores conscientes já sabem que pode ser difícil encontrar alimentos, cosméticos e produtos de limpeza genuinamente éticos e sustentáveis, apesar da presença desse tipo de produto no mercado ter aumentado significativamente nos últimos anos. O que talvez poucas pessoas se deem conta é de que essa preocupação também influencia as decisões de compra de itens de vestuário.

Embora a opção mais sustentável, nesse caso, seja comprar roupas de segunda mão, às vezes é necessário adquirir novas peças. É nesse momento que podemos decidir apoiar marcas éticas tanto no que diz respeito à cadeia produtiva quanto em relação ao meio ambiente.

Na hora de comprar roupas, sapatos e acessórios, a alternativa mais sustentável é escolher tecidos naturais, que são biodegradáveis e têm um impacto muito menor no planeta. Outra opção muito benéfica para o meio ambiente são as peças criadas a partir do reaproveitamento de tecidos descartados.

Cada material traz consigo um conjunto de benefícios, tanto em termos de respeito aos animais quanto de sustentabilidade. Vamos conhecer melhor algumas dessas matérias-primas?

Algodão orgânico

A cultura do algodão convencional é uma das que mais consome água e produtos químicos, com efeitos devastadores não apenas sobre o meio ambiente, mas também sobre os trabalhadores envolvidos na cadeia produtiva. 

No entanto, hoje já é possível encontrar mais e mais marcas que se renderam aos benefícios do algodão orgânico, que minimiza o impacto ambiental ao eliminar o uso de pesticidas e outros produtos químicos nocivos na produção, dando preferência a processos que colocam a sustentabilidade em primeiro lugar. 

O algodão tem outros benefícios: por ser uma fibra natural, ele é mais respirável, o que auxilia na evaporação do suor, além de ajudar a regular a temperatura corporal. Mas, para usufruir sem culpas dessas vantagens, confira se a peça que você vai adquirir é fabricada com algodão orgânico certificado e sem misturas com outros tecidos.

Linho

Engana-se quem pensa que o linho só serve para fazer roupas de cama e mesa. O tecido — feito do caule da planta de linho — também dá as caras no vestuário. Ele é resistente a bactérias e fungos e é um excelente isolante térmico. 

É um tecido orgânico e respirável, e, quando não tratado ou tingido, é totalmente biodegradável. O linho é uma opção fantástica durante todo o ano, pois aquece no inverno e refresca nos meses mais quentes. 

Para garantir que você está escolhendo a opção mais sustentável, evite o linho branco puro, pois, para chegar a essa cor, ele passa por um processo de branqueamento intenso. Dê preferência a tons naturais como marfim, bege e cinza.

Cânhamo

O cânhamo é uma das fibras mais antigas do mundo. Ele é semelhante ao linho em alguns aspectos: também é proveniente do caule de uma planta e aquece no inverno e refresca no verão. Além disso, é um tecido altamente resistente a raios UV, o que o torna ideal para a moda praia.

O meio ambiente também sai ganhando com o cânhamo. Em comparação com o algodão, sua cultura requer 5 vezes menos água, e por ser, na verdade, uma erva daninha, ele é mais resistente a pragas e não demanda o uso de agrotóxicos e pesticidas. Para completar, o cânhamo necessita de menos espaço para ser plantado, rendendo o dobro do algodão por área plantada.

Liocel

Também conhecido por seu nome comercial, Tencel, o liocel é um tecido feito a partir de fibra de madeira normalmente proveniente de eucalipto, cujo cultivo é realizado em áreas que não são adequadas para a agricultura. Por crescer rapidamente, o eucalipto dispensa o uso de pesticidas e fertilizantes, além de requerer menos água do que o algodão. A fibra que dá origem ao liocel também pode ser extraída do carvalho e da bétula.

Apesar de sua produção envolver o uso de solventes, a sustentabilidade do liocel é garantida pelo fato de que quase 100% desses solventes são reaproveitados no próprio processo de fabricação, além de não serem tóxicos.

Outra característica importante do liocel é o fato de ser um tecido hipoalergênico e com alta capacidade de absorção da umidade, o que impede o surgimento de bactérias.

Modal

Assim como o liocel, o modal é fabricado com a fibra produzida a partir da polpa de madeira. A celulose utilizada vem da faia, árvore que, tal qual o eucalipto, cresce com facilidade e necessita de menos água em seu cultivo.

Outra semelhança com o liocel é o fato de os produtos químicos utilizados na fabricação do modal serem reaproveitados. Além disso, o modal é neutro em carbono e, como o cânhamo, requer áreas menores de plantio. O tecido também é conhecido por sua maciez, sendo muito utilizado na fabricação de roupas íntimas e toalhas de banho. 

Cortiça

É claro que a moda vegana não é feita só de roupas. Acessórios também fazem parte do nosso guarda-roupa e podem ser produzidos a partir de matérias-primas ecológicas, como a cortiça. 

A cortiça é um material resistente à água, renovável e completamente reciclável, feita a partir de sobreiros, árvores que continuam se regenerando mesmo depois da colheita de sua casca, que é a própria cortiça. 

Além de ter um processo de produção totalmente sustentável — nenhuma árvore é derrubada para a coleta das cascas, que, após colhidas, são curadas ao ar livre —, a cortiça é um material de alta durabilidade e elasticidade, além de ser um potente isolante térmico. Ela também é leve e impermeável, o que a torna a matéria-prima perfeita para sapatos e bolsas.

As opções sustentáveis e as marcas veganas

Como já mencionamos, a opção mais sustentável na hora de adquirir roupas é dar preferência a peças usadas. Isso pode ser feito tanto indo a brechós quanto participando de bazares de troca. O meio ambiente sai ganhando, e roupas que talvez estivessem esquecidas no fundo do armário recebem uma nova vida.

No entanto, essas não são as únicas formas de beneficiar a natureza e o mundo como um todo. Também é possível ser sustentável ao consumir moda fazendo outras escolhas.

Slow fashion

Em nosso blog, já contamos um pouco sobre o que é e como surgiu o slow fashion. Nesse movimento, o consumo consciente é o carro-chefe. A preferência é por peças produzidas localmente, com ética, sustentabilidade e durabilidade, e o foco é na qualidade, não na quantidade.  

No slow fashion, a moda é sempre atemporal. As peças são tratadas com carinho e consertadas, em vez de descartadas, quando se desgastam com o uso, garantindo que menos roupas sejam despejadas em aterros sanitários. 

Moda sustentável

Mais do que um estilo, a moda sustentável é um compromisso com preceitos éticos de produção e consumo. O meio ambiente e as pessoas envolvidas na cadeia produtiva estão sempre em primeiro lugar. Salários dignos, materiais sustentáveis, uso racional de energia e responsabilidade social são os diferenciais dessa vertente.

Marcas veganas

Além dos benefícios inerentes à moda sustentável, é possível levar nossas preocupações ambientais ainda mais longe dando preferência a marcas que sejam comprovadamente veganas e ecológicas. Elas preenchem todos os pré-requisitos essenciais: têm um impacto ambiental reduzido, são éticas e respeitam os direitos dos animais. 

Para ter certeza de que está comprando uma peça 100% vegana e ecológica, preste atenção a alguns detalhes, como as instruções de lavagem, a proveniência da matéria-prima e os materiais secundários utilizados em sua fabricação, como colas e linhas. Esses dados podem dizer muito sobre a confiabilidade da marca.

Outra dica importante: quando comprar produtos em lojas online, procure informações sobre os materiais utilizados na peça. Marcas comprometidas com a sustentabilidade vão fazer questão de informar quais matérias-primas são usadas em seus produtos, como as peças são fabricadas e quem as produz. O mesmo vale para lojas físicas: se estiver em dúvida, pergunte aos vendedores sobre a procedência da peça.

Lembre-se também de que a eco fashion vegana vai além do uso de materiais como algodão orgânico, linho e outros tecidos sustentáveis. Peças de marcas veganas produzidas a partir do reaproveitamento de tecidos descartados pela indústria têxtil ou por upcycling também estão nessa categoria, e são especialmente ecológicas, já que evitam o desperdício de recursos.

As escolhas conscientes que podemos fazer

Cada vez mais, consumidores mais jovens colocam suas preocupações ambientais e sociais no processo de escolha e nos hábitos de consumo, dando preferência a empresas que compartilham das mesmas crenças e valores. Muitas marcas estão respondendo a essa mudança e criando produtos e serviços que refletem essa tomada de consciência.

De acordo com um estudo da empresa americana de consultoria McKinsey, 9 em cada 10 consumidores da chamada geração Z acreditam que as empresas têm a responsabilidade de incorporar questões ambientais e sociais em seus processos. 

Mas não são apenas os mais jovens que acreditam nisso. O estudo da McKinsey aponta que aproximadamente dois terços dos consumidores em todo o mundo afirmaram que alteram suas decisões de compra com base nas posições das empresas em questões controversas, podendo até mesmo boicotar marcas que não estejam alinhadas com seus valores.

Ainda de acordo com o estudo, nos últimos três anos, um terço dos consumidores ao redor do planeta mudaram a maneira de enxergar o consumo e passaram a considerar seus próprios valores e princípios nas decisões de compra. Isso significa que cada vez mais pessoas entendem que o consumo é uma importante força catalisadora de mudanças.

A moda vegana e o meio ambiente

Aderir ao veganismo é mais que não consumir nenhum produto de origem animal. Ser vegano é buscar entender como cada uma de nossas atitudes pode afetar — tanto positiva quando negativamente — o planeta. É fazer escolhas bem pensadas e evitar tomar decisões de consumo importantes de maneira impulsiva. É ter ideia do impacto ambiental que algo simples, como uma blusa, pode provocar.

Em suma, o veganismo tem a ver com tentarmos fazer o nosso melhor. Atitudes como ler as etiquetas dos produtos parecem pequenas e simples, mas já são um primeiro grande passo rumo ao consumo consciente. A partir daí, para seguir nesse caminho, nosso maior aliado é o conhecimento — ler sobre o assunto, fazer perguntas e compreender melhor a maneira como os produtos que consumimos são produzidos.

As decisões que tomamos com as nossas carteiras são algumas das mais cruciais para o meio ambiente. Ao aderirmos à moda vegana, estamos escolhendo lutar para garantir o futuro do nosso planeta. Se cada um de nós der apenas um passo nessa direção, já seremos bilhões de pessoas comprometidas com a preservação da natureza e com um mundo mais verde, sustentável, ético e justo para todos.

A Urban Flowers produz moda vegana, sustentável e ética para reforçar seu compromisso com o meio ambiente. Conheça nossos produtos!

 

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