Veganismo interseccional: o que é e como funciona?

Veganismo interseccional: o que é e como funciona?

Ser vegano é uma mudança de vida que só traz coisas positivas. Além de se tornar mais saudável, você ajuda a proteger o planeta e demonstra muito amor e empatia pelos animais. Contudo, sabia que não existe apenas um jeito de colocar isso em prática? O veganismo interseccional é uma possibilidade que merece a sua atenção! Essa alternativa transforma a maneira como dialogamos e como enxergamos o movimento. Também, é capaz de gerar impactos positivos de vários modos, ao mesmo tempo em que se diferencia dos demais.

Quer conhecer essa vertente, sua história e características? Veja o que a torna tão importante!

Afinal, o que é o movimento interseccional?

As pessoas são diferentes e encaram situações distintas no cotidiano. Alguém que seja parte do movimento LGBTQ+, por exemplo, terá uma experiência variada em relação a quem não integra esse grupo. Já uma pessoa negra e LGBTQ+ terá uma vivência diferente de alguém que não sofre racismo, certo? A interseccionalidade pensa exatamente nesse aspecto. Afinal, nossas experiências não são divididas em partes de quem somos. Em vez disso, tudo está ligado e molda a maneira como o cotidiano nos impacta.

O conceito do movimento interseccional surgiu no começo da década de 90, por uma professora de Direito chamada Kimberlé Grenshaw. Em um artigo sobre a marginalização da sociedade, ela cunhou o termo “interseccional”. O objetivo era demonstrar como mulheres poderiam encarar formas combinadas de opressão como LGBTQ+ e/ou como negras, por exemplo.

Logo, o conceito se expandiu além do feminismo e passou a tratar de toda a sociedade e dos movimentos que procuram uma vida diferente. A intenção é que estejamos juntos em busca de uma realidade justa e igualitária. Demais, não é?

Quais são as principais ideias dessa vertente vegana?

O veganismo é um movimento ligado à compaixão, à empatia e às escolhas conscientes por um mundo melhor. Quando falamos em veganismo interseccional, todos esses conceitos permanecem presentes. A diferença é que começa a haver uma preocupação com os direitos e com as experiências das minorias.

Em vez de afastar com regras ou de focar em apenas um grupo, a ideia é alcançar o maior número possível de pessoas. Para tanto, é válido considerar as particularidades de cada situação. Um morador de uma comunidade carente, por exemplo, também pode ser vegano. Contudo, ele precisa que seu contexto seja avaliado na abordagem, para que ela possa descobrir e explorar o movimento do jeito certo. Então, a proposta interseccional vem para resolver essa questão.

A união faz a força

Principalmente, o veganismo interseccional foca na união de diferentes movimentos sociais. Por que lutar de maneira separada se todos podemos ficar juntos contra qualquer forma de opressão? A ideia é aliar capacidades e vivências rumo a um cenário justo e igualitário.

As experiências pessoais contam

Para conseguir alcançar mais gente, é fundamental considerar as experiências de cada um. É interessante entender que cada pessoa tem uma realidade e uma percepção. O veganismo interseccional prega que essas qualidades sejam analisadas para que a mudança de vida seja possível.

A liberdade de todos é o objetivo

Essa proposta busca, principalmente, a liberdade de todas as formas de vida. Todas as minorias são contempladas pelo movimento e a ideia é que todos se emancipem de qualquer amarra.

Como o veganismo interseccional é diferente do tradicional?

O veganismo “tradicional” não é menos importante ou menos válido que o interseccional. Esse continua sendo um modo de ter empatia pelos animais e de transformar o mundo para atingir a sustentabilidade. A diferença é que a proposta interseccional funciona como um tipo de “evolução” em relação ao movimento tradicional. Após tantas lutas e conquistas, passamos de uma proteção dos direitos dos animais para uma abordagem que inclui a liberdade quanto à opressão de todos os grupos.

Outra grande distinção é o diálogo. No veganismo interseccional, dá para fugir da ideia de falar apenas com pessoas brancas, de classe média e esclarecidas. Agora, a intenção é alcançar um maior número de pessoas e de movimentos sociais. Isso é possível por meio de uma conversa que considera os desafios, as dúvidas e as dificuldades. Embora ambas as vertentes sejam importantes, não dá para negar que a interseccional tem uma proposta de inclusividade. Essa é uma nova visão de mundo e que busca moldar a sociedade de um jeito único.

Como ficaria uma comparação entre o veganismo abolicionista e o interseccional?

Ao falar no veganismo interseccional, não podemos ignorar a versão abolicionista. Embora a liberdade seja o maior objetivo do movimento com recorte social, a versão abolicionista leva isso a um novo nível. Essa vertente busca a liberação de todas as formas de exploração animal. O interesse é pela abolição de qualquer modo de opressão às diferentes espécies, pois considera — corretamente — que os animais não estão aqui para nos servir.

A grande distinção é que o abolicionismo encara os humanos como opressores em todos os casos — mesmo que também sejam oprimidos dentro da sociedade. Por isso, costuma adotar analogias como “holocausto animal” ou “escravidão animal”. Para quem sofre algum tipo de opressão, entretanto, a comunicação pode ser muito dura. Especialmente quem ainda não tem tanto conhecimento sobre o especismo pode se sentir “atacado” de alguma forma. Como resultado, talvez haja mais segregação que união rumo a um mundo diferente.

Ao mesmo tempo, não significa que a vertente é inválida ou que deve ser combatida. O abolicionismo desempenha um papel importante de conscientização para vegetarianos ou para quem já pensa no assunto ao fazer segunda sem carne, por exemplo. Provocador, é capaz de gerar reflexão de maneira única.

Como escolher o movimento certo para você?

Veganismo interseccional é uma vertente que tem ganhado popularidade, mas como deu para ver, não é a única opção. Esse movimento tem vários caminhos e cabe a você definir aquele que faz sentido para as suas necessidades e experiências. O abolicionismo é um caminho para quem busca uma atuação incisiva e até um pouco radical. O alcance é baixo e pode não ser a melhor alternativa para quem quiser ter mais gente nessa luta. Mesmo assim, funciona para muita gente e talvez seja o seu caso.

Já o movimento interseccional, como visto, contempla todas as pessoas e suas necessidades e dificuldades no cotidiano. Como traz um diálogo amplo, é uma poderosa ferramenta para mudar o mundo e criar uma realidade diferente e positiva. O veganismo interseccional é uma forma plural de incluir o respeito aos animais e aos recursos do planeta. Com essa alternativa, podemos nos unir em busca de uma atuação mais forte e de um mundo melhor!

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